sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Consequências da 1ª (Primeira) Guerra Mundial para África e Europa - HISTORIA

Introdução
A Primeira Guerra Mundial terminou com a rendição da Alemanha em 11 de Novembro de 1918. A partir daí, a Europa e África passaram por uma reconfiguração de poder política, demográfica, económica e sociocultural. As principais transformações do pós-guerra ocorreram com a edição do Tratado de Versalhes e com as novas definições no mapa político-económico mundial com o surgimento de novas grandes potências. Entretanto neste trabalho trazemos a abordagem sobre as consequências da 1ª Guerra Mundial para Europa e Para África. Onde analisará-se estes aspectos a nível económico, político, demográfico e sociocultural.




  • Índice
  • Introdução. 1
  • Consequências da 1ª Guerra Mundial para África. 2
  • A Nível Político. 2
  • A Nível Economico. 2
  • A Nível Demográfico. 3
  • A Nível Sociocultural 4
  • Consequências da 1ª Guerra Mundial para Europa. 4
  • A Nível Económico. 4
  • A Nível Demográfico. 4
  • A Nível Político. 5
  • A Nível Sóciocultural 6
  • Conclusão. 7
  • Bibliografia. 8


Consequências da 1ª Guerra Mundial para África
A Nível Político

Ao longo de quatro anos, populações europeias e africanas foram deslocadas, culturas foram destruídas, num cenário onde a contestação ao domínio político, económico e administrativo europeu começou, também, inevitavelmente, a ganhar notoriedade. Nos territórios do protectorado britânico da África Oriental, terminada a guerra, as estimativas apontam que cerca de 100 000 africanos nunca terão regressado a casa.
São muitas as transformações que a guerra iria trazer à vivência e ao quotidiano dos africanos, uma vez assinada a paz. Na verdade, as elites africanas acabaram por saber tirar partido de algumas das oportunidades que a guerra lhes trouxe: em 1916 era aprovada a «Loi Blaise Diagne» que reconhecia o direito de cidadania francesa a todos os residentes nas quatro comunas do Senegal: Dakar, Gorée, Saint-Louis e Rufisque, esta medida foi acompanhada pela promessa do representante senegalês na câmara dos deputados francesa, Blaise Diagne, de obtenção de isenção do trabalho forçado, promessa que acabaria, no entanto, por nunca ser cumprida.








A Nível Economico
Apesar da maioria dos confrontos ter ocorrido em solo europeu, o envolvimento do continente africano na Grande Guerra acabaria por ser tudo menos irrelevante: ao longo de quatro anos África forneceu recursos materiais e humanos, a uma escala sem precedentes, para a Frente Ocidental. África ver-se-ia assim envolvida na Grande Guerra em virtude não só do controlo político que a Europa exercia sobre o continente mas também devido ao potencial estratégico de muitos destes recursos e infra-estruturas sobretudo portos, linhas de comunicação e estações telegráficas considerados indispensáveis à prossecução da guerra. As colónias não foram por isso meros campos de batalha, elas eram parte integrante das economias de guerra dos países europeus, fornecendo matérias-primas, alimentos e soldados para a frente ocidental. África deixou de representar apenas mais um destino de comércio, para se transformar num território onde a Europa passou a exercer controlo político; até 1880, 80% do território africano era governado pelos seus próprios reis;
Por esta altura, as exportações alemãs para as suas colónias em África cifravam-se em 57,1 milhões de marcos, pouco mais de 2% do valor total do comércio externo alemão, em 1913. O reich, entre 1894 e 1913, tinha gasto mais no desenvolvimento e manutenção dos seus territórios coloniais – 1 0002 milhões de marcos – do que o valor total do seu comércio com aqueles territórios, 972 milhões de marcos.

A Nível Demográfico
Cerca de dois milhões e meio de africanos foram mobilizados, como soldados, trabalhadores ou carregadores, valor que corresponde a, aproximadamente, 1% do total da população do continente.
No Verão de 1914 existiam 14 785 soldados africanos na África ocidental. Quando a guerra eclodiu apenas a França dispunha de um número «significativo» de tropas coloniais nos seus territórios, cerca de quinze mil homens; em 1912, com vista à criação de um exército negro permanente, tinha sido publicado um decreto que tornava obrigatório o serviço militar, durante quatro anos, para todos os africanos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 20 e os 28 anos. Contudo, e à medida que o conflito foi evoluindo todas as potências coloniais foram compelidas a expandir os respectivos contingentes coloniais, recorrendo, muitas vezes, ao recrutamento e à incorporação de voluntários.
Começou então, nas palavras do governador da África Ocidental francesa, Gabriel Anglouvant, «uma verdadeira caça ao homem». No ano de 1915-1916 as autoridades francesas estabeleceram como objectivo o recrutamento de 50 mil homens, o descontentamento e a revolta das populações cedo se fez sentir, tornando impossível a realização de incorporações nas regiões sublevadas, contudo as estimativas apontam para que, durante os anos da guerra, cerca de 483 mil soldados coloniais terão integrado o exército francês. Para juntar aos soldados da África ocidental, mais 250 000 soldados do Norte de África e de Madagáscar integraram o mesmo exército.

A Nível Sociocultural
As consequências da Grande Guerra em África, cujos impactos se fizeram sentir em todo o continente ao longo de quatro anos, só podem, em grande medida, ser comparáveis aos efeitos devastadores provocados por séculos de escravatura. De uma forma geral podemos afirmar, desde logo, que os impactos da Grande Guerra, quando analisados para além da destruição provocada por quatro anos de conflito, se fizeram sentir no quotidiano do continente devido a três causas principais: o recrutamento das populações africanas; o êxodo dos europeus;

Consequências da 1ª Guerra Mundial para Europa
A Nível Económico
O pagamento de reparações onerosas impostas aos perdedores após a Primeira Guerra Mundial, durante um período inflacionário em toda a Europa na década de 1920 – outro resultado directo dos efeitos materiais de uma guerra catastrófica – causou uma hiperinflação da moeda alemã, o Reichsmark , por volta de 1923. Aquele período de hiperinflação combinado com os efeitos da Grande Depressão (iniciada em 1929) abalou seriamente a estabilidade da economia da Alemanha, acabando com as economias pessoais da classe média e gerando desemprego em massa.
O caos económico em muito colaborou para aumentar a agitação social, desestabilizando a já frágil República de Weimar. Os esforços das potências europeias ocidentais para marginalizar a Alemanha, tiveram como resultado o enfraquecimento e isolamento de seus líderes democratas, fazendo surgir entre a população alemã a idéia de que era necessário recuperar seu prestígio nacional através da remilitarização e da expansão territorial.

A Nível Demográfico
A destruição e a perda catastrófica de vidas ocorridas durante a Primeira Guerra Mundial resultou no que poderia ser descrito como desespero cultural em muitas nações que haviam participado dos combates. A decepção com as políticas nacionais e internacionais e um sentimento de desconfiança em relação aos líderes políticos e funcionários governamentais, permeavam a consciência de um público que havia testemunhado os danos de um conflito devastador que havia durado quatro anos. A maioria dos países europeus perdeu práticamente toda uma geração de homens jovens. Embora alguns escritores glorificassem a violência da guerra e o contexto nacional do conflito, como o alemão Ersnt Jünger, em sua obra datada de 1920, entitulada “Tempestades de Aço”, Stahlgewittern, na verdade foi o relato vivo e realista dos combates nas trincheiras, retratados na obra-prima de Erich Maria Remarque “Nada de Novo no Front” (Im Westen nichts Neues), datada de 1929, que conseguiu captar a experiência das tropas nas frentes de batalha e expressar a alienação da "geração perdida", que retornava ao lar após a Guerra e se sentia incapaz de se adaptar aos tempos de paz, e ao mesmo tempo era tragicamente incompreendida pelos civis que não haviam testemunhado os horrores da Guerra em primeira mão.

A Nível Político
A reviravolta social e econômica que se seguiu à Primeira Guerra Mundial em muito contribuiu para desestabilizar a incipiente democracia alemã, permitindo assim a ascensão de muitos partidos radicais de direita na Alemanha durante a República de Weimar. Tão destrutiva quanto as rígidas determinações do tratado de Versalhes era a crescente convicção de muitos alemães de que haviam sido "apunhalados pelas costas" pelos "criminosos de novembro" – ou seja, por aqueles que haviam ajudado a formar o novo governo de Weimar e a negociar a paz que os alemães tanto desejavam, mas que foi tratada de forma desastrosa no Tratado de Versalhes.
Muitos alemães pareciam haver se esquecido de que haviam, eles mesmos, elogiado a queda do Kaiser [Imperador], aprovado a reforma parlamentar democrática e comemorado o armistício. Eles faziam questão de apenas se lembrar de que a esquerda alemã – os socialistas, comunistas e, no imaginário popular também os judeus, – havia entregue a honra alemã em um tratado de paz vergonhoso, mesmo que nenhum exército estrangeiro houvesse pisado em solo alemão. O mito da Dolchstosslegende (punhalada nas costas) foi criado e difundido por já aposentados líderes militares alemães da época da Guerra que, já em 1918 sabendo que a Alemanha não mais tinha condições de manter a guerra, haviam aconselhado o Kaiser a pedir a paz. A lenda criada ajudou a desacreditar ainda mais os círculos socialistas e liberais alemães, que eram os que mais se dedicavam a manter a frágil experiência democrática alemã.
Os Vernunftsrepublikaner ("republicanos racionais"), entre eles o historiador Friedrich Meinecke e o escritor alemã que havia recebido o prêmio Nobel, Thomas Mann, inicialmente haviam resistido à reforma democrática mas, devido aos problemas do pós-guerra sentiram-se na obrigação de apoiar a República de Weimar, como a menos pior das alternativas possíveis. Eles tentaram afastar seus compatriotas da polarização entre a esquerda e a direita radicais. As promessas da direita nacionalista alemã de revisar o Tratado de Versalhes, pela força caso necessário, conquistavam cada vez mais simpatizantes em círculos respeitados pela opinião pública. Enquanto isso, os rumores de uma iminente ameaça comunista, após a eclosão da Revolução Bolchevique na Rússia e dos breves golpes e revoluções comunistas na Hungria (Bela Kun) e na própria Alemanha (i.e. a Revolta Espartacista, Spartakusaufstand ), começavam a alterar o equilíbrio da balança da opinião política alemã decididamente em prol das causas da direita.

A Nível Sóciocultural
Enquanto os agitadores da esquerda cumpriam pesadas sentenças na cadeia por gerarem inquietação política, os activistas radicais de direita, como Adolf Hitler, cujo Partido Nazista havia tentado depor o governo da Bavária e iniciar uma "revolução nacional" no Beer Hall Putsch em novembro de 1923, cumpriram apenas nove meses dos cinco anos de suas sentenças por traição, considerada crime capital. Foi enquanto cumpria sua sentença na prisão, que Hitler escreveu seu manifesto político, Mein Kampf (Minha Luta).
Em alguns círculos, essa indiferença e essa desilusão com as políticas bélicas e os conflitos auxiliaram a aumentar o sentimento pacifista. Nos Estados Unidos a opinião pública era a favor do retorno ao isolacionismo; e esse sentimento popular foi o fundamento da recusa do senado norte-americano em ratificar o Tratado de Versalhes e aprovar a inclusão dos EUA na Liga das Nações proposta pelo presidente Wilson. Para uma geração de alemães, aquela alienação social e desilusão política foi retratada na obra “E agora, seu moço?” (Kleiner Mann, was nun?), do escritor alemão Hans Fallada, uma história sobre um alemão "comum" em meio ao tumulto da crise económica e do desemprego, e igualmente vulnerável às palavras sedutoras dos políticos radicais de esquerda e de direita. A obra de Fallada, de 1932, retratou com precisão a Alemanha de sua época: um país imerso em inquietações económicas e sociais e polarizado entre as duas extremidades do espectro político. Muitas das causas dessa desordem tiveram suas origens na Primeira Guerra Mundial e no período que a seguiu; e o caminho em seguida tomado pela Alemanha resultaria em uma guerra ainda mais destrutiva nos anos vindouros.

Conclusão
Terminado trabalho pôde então concluir-se que por tudo que vimos viu-se, especialmente com relação ao Tratado de Versalhes, o fim da Primeira Guerra Mundial não criou um ambiente de paz, ao contrário disso, ampliou as rivalidades existentes desde o período imperialista, especialmente nos alemães que passaram a desejar vingança. O discurso de Hitler era impregnado de acusações contra o Tratado de Versalhes e aos "traidores da nação", pois os social-democratas eram acusados de traidores por terem mediado a rendição do país.
Além disso, constatou-se que cerca de 8 milhões e meio de pessoas morreram e perto de 20 milhões ficaram feridas. Queda dos grandes impérios e o aparecimento de novos estados, definiu--se um novo mapa político na Europa. Fome, desemprego alarmaram a Europa. As classes sociais empobreciam cada vez mais, provocando uma certa agitação social, as mulheres que antes não trabalhavam fora de casa entraram no mundo de trabalho e conquistaram também direito de voto.


Bibliografia

  • HOBSBAWN, Eric J.. Era dos Extremos: o breve século XX: 1914 – 1991. n
  • C.M. Andrew and A.S. Kanya-Forstner, «France, Africa, e a Primeira Guerra Mundial» in Journal of African History, XIX, 1978, p. 11.
  • Andrew D. Roberts, «Introduction» in A.A.V.V., The Cambridge History of Africa c.1905-c.1940, (Ed.) A.D. Roberts, Vol. 7, Cambridge, Cambridge University Press, 1986, p. 3.


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