sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Mazoio vendeu a sua liberdade por 12.000.000 meticais

A bolada de Francisco Mazoio!

Foram 12.000.000.00MT (doze milhões de meticais) que atiraram Francisco Mazoio à cela onde ele actualmente habita. Decididamente, muito pouco para quem ocupava o cargo de PCA do INSS. O prestígio que este cargo encerra e o salário mensal e as mordomias e a paz de espírito por estar a servir o Estado com rectidão.
Eis os factos, de forma resumida: Francisco Mazoio (PCA do INSS) e Baptista Machaieie (então director-geral do INSS) associaram-se a Emiliano Finnochi para burlar o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS). Foi assim que algures no ano de 2013, o trio concebeu um contrato de fachada de um pretenso projecto imobiliário em Nacala-a-Velha, província de Nampula. Tratava-se da construção de um complexo comercial e um complexo turístico. Na realidade nada disto existia. Era para sacar dinheiro ao banco do povo.

Emiliano Finnochi, em representação da empresa Índico Dourado, seria a pessoa que procuraria o INSS para apresentar os projectos arquitectónicos e de engenharia, bem como os respectivos estudos de viabilidade que fossem suficientemente convincentes. Ou seja, aos olhos de muitos no INSS não devia se notar que se tratava de um embuste.
Finnochi, porque sozinho não era capaz de elaborar tais projectos, recrutou um outro comparsa chamado Rui Manuel de Sousa Melo. Juntos elaboraram diversas versões de projectos em questão e mostraram directamente a Francisco Mazoio e Baptista Machaieie.
Quando os projectos já eram mais ou menos o que eles queriam para burlar o INSS, coube a Mazoio e Machaieie apresenta-los numa reunião do Conselho de Administração para a sua aprovação. Diversos membros deste órgão não foram a favor, mas Machaieie e Mazoio defenderam-nos e os projectos vieram a ser aprovados.
Contudo, para o pagamento do valor, 317.200.000.00MT (trezentos e dezassete milhões e duzentos mil meticais), tinha que haver o visto do Tribunal Administrativo. Esta instituição negou dar o visto por achar que o contrato estava viciado e devolveu-o para que a irregularidade fosse sanada. A dupla Francisco Mazoio e Baptista Machaieie não se fez de rogada. Falsificou a assinatura do juiz que iria dar o visto assim como o respectivo carimbo do Tribunal Administrativo.
Foi assim que no dia 8 de Agosto de 2014, o INSS transferiu para a conta da empresa Índico Dourado, Lda, o valor de 317.200.000.00MT. Desse valor, Emiliano Finnochi emitiu um cheque de oito milhões de meticais para Baptista Machaieie, a 11 de Agosto. Os doze milhões de Francisco Mazoio foram transferidos no dia 15 de Agosto. Rui Manuel de Sousa Melo, o que elaborou os projectos, também foi agraciado com doze milhões de meticais.
Lembre-se que este Emiliano Finnochi também está metido noutro processo que levou Paulo Zucula à cadeia. Pagou caução e fugiu do País deixando um prejuízo enorme aos cofres do Estado.
Há muito por dizer sobre este processo, cuja acusação provisória já foi exarada. Mas o destaque, pela negativa, vai para Francisco Mazoio. Tinha o dever de não errar, visto que foi parar ao INSS oriundo de uma organização sindical. A sua escolha para aquele cargo, tinha em vista dar um cunho moral ao INSS que havia se tornado num antro de ladrões. Ele também, surpreendentemente, foi roubar. E quanto? Qualquer coisa como 400 mil dólares ao câmbio dessa altura. Fome? Desespero? O que levou o Mazoio a ter que falsificar a assinatura de um juiz e o carimbo do Tribunal Administrativo? E a luta que ele dizia que travava em nome do espezinhado trabalhador moçambicano? Francisco Mazoio, definitivamente, foi um grande traidor. Ele merece uma pena severa. Ele é o exemplo clássico do que não se deve fazer. Não soube honrar a gravata que punha quando presidia as reuniões do Conselho de Administração. Se fosse nos tempos de chamboco…

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